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out 13

O saber, o professor e disrupção

Diogo Durigon – Professor de graduação e pós-graduação, advogado e empreendedor

“A construção de conhecimento não muda, de forma substancial, há quase 200 anos!” Quando ouvi essa frase, de um experiente profissional da educação um pouco antes da pandemia, a primeira reação foi negativa, mas, ao pensar um pouco mais, em contexto geral, realmente a educação não teve nenhuma ‘disrupção’. Há, evidentemente, casos cá e acolá que servem de paradigma – mas não ‘disrupção’.

O contexto pandêmico criou um ambiente de mudança “forçada” para todos na educação: em dias ou semanas, algumas escolas de referência transformaram o ensino para o formato remoto síncrono e assíncrono, enquanto que outras, por falta de estrutura, formação e até motivação, ainda engatinham para recuperar esses dois ciclos de formação.

Se paramos para pensar na educação dos últimos dois séculos, ela de fato não mudou muito não. O professor é instigado a ser um “portador” de conhecimento, que – através das aulas – ‘transfere’ para o aluno o saber. Esse contexto é incompatível com a realidade “virtual” em que vivemos!

Paulo Freire, há 30 anos, já propunha o repensar da educação, e, diante do isolamento decorrente da pandemia, passamos a ver que – pela necessidade – a educação finalmente precisou (e ainda precisa!) ser ‘chacoalhada’, mudada, disruptiva! Precisa se colocar no contexto social e familiar do aluno, para o aproximar do saber; precisa ser instigante e criativa para provocar o interesse do aluno; precisa usar todas as ferramentas (não apenas o ‘quadro e giz’) para criar o ambiente ao desenvolvimento do aluno; precisa ser motivadora à construção do conhecimento pelo próprio aluno.

E o professor: onde está ele na disrupção evolutiva? No mesmo lugar, ou seja, no centro da construção do conhecimento! Sua responsabilidade, porém, é diversa: o professor é o ‘curador’ do conhecimento e, através desta curadoria, percebe e aplica estratégias para a formação do aluno, instigando a construção do saber pelo próprio destinatário.

Lembro, quando ainda no segundo grau, das perguntas ‘conectadas à realidade’ de uma professora de física: “qual altura da parede devemos instalar um ar-condicionado? Porque os gansos não morrem de calor? – Perguntas que foram, ao seu modo, disruptivas da simples análise do processo físico e que me fazem lembrar que o professor é, e sempre será, indispensável na evolução de nossos alunos! Ela foi fundamental na construção do ‘saber’ e do ‘ser’ em minha vida!

Ser professor é muito mais do que passar conhecimento. É criar oportunidades de vida, de conexão entre vidas, de desenvolvimento, de criatividade, de sabedoria e de humanidade! Por isso sois, sob qualquer aspecto, vital para qualquer sociedade!